Como dimensionar as caixas acústicas em um projeto de sonorização
29/04/2019

Como dimensionar as caixas acústicas em um projeto de sonorização

A qualidade do som obtido a partir de um sistema ambiente depende de alguns fatores. Questões como o tipo dos equipamentos escolhidos e seu padrão construtivo, a eficiência e o histórico de desempenho da marca escolhida, os componentes que integram os aparelhos, a área onde ele será instalado e o tratamento acústico adequado são alguns deles, mas não só estes. Eles também não devem ser analisados de forma isolada, porque são complementares; logo, de nada adiantará investir todos os recursos disponíveis na melhoria do ambiente e economizar em caixas acústicas, por exemplo.

 

Como você já leu por aqui, os bons resultados dependem, claro, de um bom planejamento técnico com a execução dos cálculos corretos. Mas não se pode esquecer de pesquisar, conhecer e oferecer para o cliente as últimas novidades no desenvolvimento de alto-falantes, caixas, arandelas e outras estruturas destinadas à propagação sonora. É uma ação que exige muita atenção para garantir que a solução exposta não será sobrecarregada nem subutilizada por conta da demanda. Qual é, então, a melhor forma de fazer isso e buscar os bons resultados num projeto de sonorização?

 

Características fundamentais das caixas acústicas

 

Considerando que o propósito das caixas acústicas é impedir que as ondas sonoras que saem pela parte da frente e da traseira dos alto-falantes interfiram umas nas outras e anulem-se mutuamente, é importante saber que:

  • caixas acústicas são usadas para propagar o som, mas também podem melhorar a acústica de um ambiente ou da reprodução sonora em resposta de frequência e em tempo de resposta;
  • a maioria das caixas possui mais de um alto-falante. A ideia é que ela possa abranger melhor todas as faixas do espectro audível, que vai de 20 Hertz (Hz) até 20 mil Hz na audição humana;
  • as unidades pequenas são chamadas de tweeters, e emitem sons mais agudos;
  • as médias frequências são propagadas pelos mid-ranges, unidade que costuma ser maior que os tweeters mas não têm capacidade de produzir sons graves mais pesados;
  • os woofers são mais largos, geralmente mais profundos e de dimensões gerais maiores que os “médios”. Eles precisam impulsionar grande quantidade de ar para produzir graves de impacto, comuns em músicas eletrônicas e outros estilos.

Essas características técnicas ajudam a definir como cada caixa vai se comportar na prática, mas é importante otimizar o uso por meio da escolha correta do modelo conforme o espaço a ser sonorizado. Isso significa que alguns entendimentos, sobretudo os baseados no senso comum e que não consideram os aspectos técnicos da dinâmica dos sons, precisam ser revistos.

 

Um deles é o que diz que quanto mais caixas de som, melhor para a potência desejada. Esse pensamento é equivocado e pode, se for colocado em prática no ambiente indevido, prejudicar muito a experiência final obtida. Cada caixa produz ondas mecânicas que estimulam o ouvido humano de uma determinada forma. Se não houver uma atenção especial ao comportamento de cada uma, o som pode ficar distorcido, alto demais, muito baixo ou provocar efeitos como reverberações e eco no ambiente.

 

 

Calculando a quantidade de caixas acústicas necessárias

 

Como você já leu neste texto, há diversos tipos de caixas acústicas disponíveis no mercado: arandelas, ativas, passivas, dutadas, seladas e outros modelos — cada um destinado a uma aplicação e com uma curva de desempenho específica. Antes de comprar baseado apenas em critérios estéticos ou financeiros, analise bem algumas informações:

 

  • o tamanho do pé direito do ambiente;
  • a presença de ruídos internos ou externos e como isso pode interferir na percepção do som produzido pelas caixas;
  • o tipo de mobiliário disponível — se há carpetes, cortinas, qual é o layout da área;
  • qual é o objetivo do sistema de sonorização que será instalado ali — comércio, residência, etc.;
  • o volume final que o consumidor deseja obter e que tipo de frequências ele quer destacar.

 

A partir da análise destes pontos, que deve ser feita preferencialmente in loco, você terá uma capacidade mais precisa de determinar quais equipamentos serão necessários e, principalmente, que tipo de caixas acústicas poderão ser instaladas.

 

Relações entre área e potência das caixas acústicas

 

É evidente que cada caso exigirá uma aferição específica e a escolha das melhores caixas acústicas terá que passar por um processo minucioso para que possa extrair o máximo desempenho para a proposta buscada. Mas nossos especialistas ajudam a entender um pouco mais essa relação com alguns exemplos.

 

Considere, neste primeiro momento, que conforme a física orienta, 1 Watt RMS por metro quadrado equivale a 90 decibéis. Isso significa que um ouvinte que esteja distante da fonte sonora de 1W receberá uma pressão sonora de 90dB se estiver na “casca” da esfera cujo raio tem 1 m².

 

A partir dessa conta básica, considere outros aspectos fundamentais como a potência e a quantidade de caixas pretendidas, além do valor da saída do amplificador.

 

Exemplo:

 

  • amplificador de 35W;
  • quantidade de caixas pretendidas: 12;
  • potência de cada caixa: 25W;
  • impedância de cada caixa: 8 ohms.

 

Nesse sistema, cada caixa receberá 2,9W de potência. Esse índice é adequado para ambientes corporativos, onde cada caixa acústica pode propagar entre 2W e 10W de modo a manter a eficiência sonora e o bom aproveitamento do som.

 

Caso a intenção seja implantar o sistema em um ambiente residencial, é fundamental identificar qual é o desejo do cliente. Se ele quer volume e não se importa com a qualidade, é possível usar um tipo de caixa. Caso deseje altíssima definição, é importante considerar critérios como a construção do equipamento e a faixa de frequência com que ele trabalha de forma mais cuidadosa. Na maior parte dos projetos, considerar a potência de 25W por caixa (no mínimo) já oferece um sistema com boa definição sonora, alta inteligibilidade e propagação adequada.

 

Alguns exemplos permitidos:

 

  • amplificador de 200W e quatro caixas acústicas de 50W;
  • amplificador de 400W e quatro caixas acústicas de 120W;
  • amplificador de 480W e 16 caixas de 60W;
  • amplificador de 100W e uma caixa de som de 50W.

 

Como visto, nem sempre a soma da potência das caixas precisará ser a mesma que a potência do amplificador. Essa diferença é tolerável porque o valor da primeira costuma ser a potência admissível da caixa e não a de trabalho. Logo, com o dimensionamento correto de cabos, é mais do que suficiente sonorizar um ambiente com a qualidade necessária por meio dessas orientações.


Para conhecer mais formas de calcular corretamente a quantidade de caixas acústicas de um projeto de sonorização e conhecer mais sobre o assunto, acesse o nosso blog. No nosso site você também pode ver quais produtos são os mais adequados para a sua instalação. Acesse!

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