Fio para caixa de som: como escolher o ideal para o seu projeto
08/05/2019

Fio para caixa de som: como escolher o ideal para o seu projeto

O desenvolvimento de um projeto de instalação de som ambiente depende de diversas fases que precisam ser bem executadas para garantir a qualidade final pretendida. Entre elas estão a escolha do local a receber o sistema, a escolha dos equipamentos com base nas suas características técnicas e nos atributos de design, a avaliação financeira e a qualidade dos itens. No entanto, é comum que o cliente dedique a atenção a este último quesito somente aos aparelhos mais robustos, esquecendo-se de um item preponderante para a obtenção de bons resultados: o fio para caixa de som.

 

Esses itens, considerados por muitos como secundários, são preteridos na hora de se fazer qualquer tipo de orçamento. É comum que o cliente prefira gastar mais com amplificadores, receivers, interfaces de áudio e outros itens e pense que todos os fios cumprem a mesma função com a mesma eficiência. Isso não é verdade e o potencial que um produto de qualidade inferior tem de colocar a perder todo o resto do projeto é imensamente maior do que o imaginado por muita gente.

 

Além das propriedades referentes à durabilidade do fio para caixa de som, há uma série de atributos de ordem física que vão reger as propriedades e capacidades de transmissão de sinais, resistência, maleabilidade e interferência sobre o som que o cliente deseja ouvir saindo dos alto-falantes. Portanto, é fundamental que você saiba quais são essas características para agregar valor à sua consultoria na hora de indicar qual fio é mais adequado à instalação em questão.

 

Aspectos importantes para a escolha do melhor fio para caixa de som

 

Para ajudá-lo a compreender o que é realmente importante na hora de definir quais tipos de fios e cabos vão compor o projeto de sonorização ambiente no qual você está trabalhando, nossos especialistas produziram este conteúdo que esclarece as principais dúvidas dos profissionais desta área. Leia-o atentamente e procure checar todas as características para embasar tecnicamente as suas escolhas e indicações para o cliente — não se preocupando apenas com o fator financeiro. Lembre-se que um produto mais barato pode ser de menor qualidade, durabilidade inferior e não atender aos critérios básicos que garantirão uma excelente resposta sonora nos médio e longo prazos.

 

Qualidade do condutor interno

 

Um fio para caixa de som não é somente um componente metálico comprido revestido por uma capa plástica. Há variáveis importantes na definição dos tipos desse item que podem comprometer o rendimento e exigir que, tempos depois, o profissional de instalação de som ambiente precise refazer o trabalho por conta de ruídos indesejados e outros problemas que podem aparecer (quando ele não perder o cliente justamente pelos mesmos motivos).

 

Antes de tudo fique atento à qualidade do material no miolo do fio para caixa de som. Há marcas no mercado que não se importam tanto com a composição desta parte, o que interfere negativamente na condutibilidade elétrica e favorece, no caso dos cabos de baixa qualidade, a ocorrência de ruídos e perdas de sinal.

 

Os cabos que possuem muitos condutores no seu interior (fios para caixas de som costumam ser flexíveis e ter em seu meio diversos filamentos metálicos muito finos) oferecem maior resistência mecânica. Geralmente eles são compostos por cobre, metal que é um excelente condutor de sinais elétricos. Mas há outros materiais utilizados na fabricação dos fios e cabos, cada um com uma característica diferente. São eles:

 

  • misturas entre cobre e bronze: são muito resistentes e bastante flexíveis, mas podem ter a condutibilidade elétrica reduzida em relação ao material produzido com o cobre puro;
  • alumínio: permitem a fabricação de fios e cabos mais leves e com bom grau de resistência mecânica, mas pecam por apresentarem impedância (resistência eletromagnética) elevada.
  • ouro: é considerado o melhor condutor de eletricidade, mas por razões econômicas óbvias, não há fios e cabos compostos integralmente por este metal. O que existem são soluções mais baratas — mas ainda assim mais caras que as convencionais — que podem ter as terminações banhadas a ouro ou o miolo folheado, sobretudo no caso de cabos de curta distância.

 

Dentro desses segmentos, muitos fabricantes têm desenvolvido projetos para melhorar a qualidade do cobre utilizado para que a condução da corrente elétrica apresente melhor performance. Essa técnica consiste na eliminação do oxigênio do fio de cobre que culmina com a obtenção do cobre de alta pureza ETP (Electrolytic Tough Pitch). Ao redor de cada filamento condutor, há uma camada de carbono — que possui a propriedade de converter o campo magnético gerado pelo cabo na passagem da corrente em sinal elétrico novamente, reduzindo drasticamente a dissipação do sinal. Resultado: distorção mínima.

 

Blindagem

 

Um cabo de áudio de alta qualidade deve apresentar baixíssima resistência, blindagem de alta densidade, baixa capacitância dielétrica, alta resistência mecânica e suportar altas temperaturas, principalmente durante o trabalho de soldagem dos conectores — há exemplos de fios para caixas de som cuja capa plástica derrete com a simples aproximação de um soldador elétrico de baixa potência).

 

O sistema de blindagem costuma ser feito por meio de uma folha metálica em um filme de poliéster ou polipropileno, que acrescenta uma boa proteção mecânica em toda a extensão do fio. Quando o produto é revestido apenas com a malha, o resultado é inferior — ainda que essa especificidade seja útil em alguns tipos de aplicação.

 

A ideia ao se adotar cabos com boa blindagem é eliminar o ruído causado pela radiofrequência do ambiente onde o sistema de som está instalado. Esse fenômeno, típico da interferência de outros sinais eletromagnéticos sobre o meio que conduz a energia sonora, é mais sujeito a ocorrer quando há o compartilhamento de eletrodutos nas paredes ou a passagem do fio para caixa de som perto da rede elétrica do ambiente.

 

Sempre que possível ofereça fios e cabos com boa taxa de blindagem: eles são a garantia de que o seu cliente dificilmente reclamará sobre a interferência causada no seu sistema, sobretudo em tempos em que a utilização de dispositivos sem fio tem crescido exponencialmente.

 

Revestimento

 

Além desses aspectos técnicos e físicos que devem ser observados, lembre-se que é fundamental escolher um fio para a caixa de som que proporcione bom isolamento elétrico, resistência mecânica e segurança. Especificamente sobre este último aspecto, ainda que a corrente que passará por ele seja de baixa amperagem, não há como desconsiderar a capacidade de retardo de chamas e a baixa produção de fumaça no caso do surgimento de fogo na instalação.

 

A composição da capa externa dos cabos costuma ser de algum material plástico — o PVC na maioria dos casos — com as devidas características que lhe garantam a tranquilidade no uso. E esse material deve contribuir ainda com a fluidez dos fios pelos conduítes embutidos dentro dos imóveis e com a durabilidade da instalação.

 

Para aferir essas características, há uma norma (RC-7702) que define as condições de teste para avaliação da durabilidade de cabos quanto estão flexionados. Basicamente ela estipula um teste a ser feito antes de o produto ser lançado no mercado:

 

  • o cabo é fixado em por uma extremidade e fica balançando de um lado ao outro num trajeto que completa um ângulo de 90 graus;
  • esse movimento se repete ciclicamente por 50 mil vezes;
  • a velocidade do movimento é de 20 vezes para o lado direito e outras 20 para o lado esquerdo;
  • depois dessa movimentação, a capa plástica do cabo é aberta para verificar a condição dela, da malha e dos revestimentos dos filamentos internos (se for o caso).

 

Caso o fio para caixa de som não passe no teste por ruptura da capa externa antes do tempo previsto, ele não chega a ser comercializado. O motivo são os riscos que um cabo com falha pode oferecer, que vão desde o prejuízo estético até o choque elétrico, passando pela possibilidade de curto circuito e geração de ruídos na linha.

 

Conectores das pontas

 

Há diversos tipos de conectores que variam conforme a finalidade do fio para caixa de som, tipo da caixa e características do ambiente onde ele será aplicado. Os plugues também podem interferir na qualidade do sinal transmitido, já que há os do tipo balanceado e não-balanceado.

 

Os cabos balanceados costumam ter um filamento interno exclusivo para a eliminação de eventuais ruídos que estejam passando pela linha, enquanto que o outro tipo não dispõe desse recurso. Um exemplo prático: equipamentos como violões e sintetizadores costumam ter conexões não-balanceadas; microfones e mesas de som são balanceados.

 

Há ainda alguns tipos de conectores importantes que podem ser usados nos sistemas de som ambiente de diversos portes. São eles:

 

 

  • conectores XLR: podem ser macho ou fêmea, de painel de linha. Têm de três a sete pinos, e costumam ser usados em microfones ou nas entradas e saídas de áudio balanceado;
  • conectores RCA: também no estilo macho e fêmea, são utilizados em circuitos de áudio desbalanceado e normalmente em alta impedância, exceto para sinais digitais. São aplicados também para áudio digital transportando sinais S/PDIF. A impedância deste conector é de 75Ω e eles permitem o tráfego de sinais com frequências em torno de 200 MHz;
  • P10, 1/4 ou banana: é o mais utilizado em áudio, pois atende a entrada e saída de áudio balanceado ou não, fones de ouvido, instrumentos musicais e até é utilizado para caixas acústicas. É encontrado em painel fêmea com e sem trava, em linha macho e fêmea com trava.

 

 

Lembre-se que na maioria das vezes, é muito melhor desenvolver um projeto de som ambiente com fios que terminem em conectores. Isso vai garantir mais qualidade e melhor acabamento do que a forma mais simples de ligação, que costuma usar uma ponta do fio desencapada e atarraxada nos bornes do amplificador ou das caixas.


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